20.5.11

“Bits e Pergaminhos”?


Ficamos mais experientes com o tempo. Vivi o suficiente para conhecer não só o significado objetivo dessa frase mas também o subjetivo. Hoje vejo a vida de um jeito diferente, mais prudente: sou obrigado a ver os perigos com os quais não me preocupava antes porque meus pais me protegiam; e só percebi que eram de verdade e não um dos bichos-papões que eles me inventavam porque os conheci pessoalmente.

Mesmo mais experiente agora, não digo que as coisas da adoslescência  eram todas bobas. Meu altruísmo hoje é muito mais protetor e prudente - como o dos meus pais antes de mim - mas isso não quer dizer que o meu altruísmo utópico de outrora seja estúpido porque era adolescente, pelo contrário, inépcia é o conformismo preguiçoso de alguns adultos; só espero poder ser como o Chesterton: "cresci e descobri que aqueles velhos filantrópicos estavam dizendo mentiras. (...) Ora, eu não perdi meus ideais nem um pouco; minha fé nas verdades fundamentais é a mesma que sempre foi."*

Também digo essas coisas para elogiar não um relativismo mas uma sensatez em relação ao que passou. Acho que não devemos pensar no passado - tanto o pessoal como o da humanidade - como se ele fosse um valor, positivo ou negativo, devemos vê-lo como uma realidade complexa de onde podemos tirar coisas boas e ruins. O mesmo vale para a ilusão da mudança total  da sociedade, acho-a uma má ideia porque acabamos substituindo vários acertos passados por equivalentes inferiores – o que, naturalmente, não significa que não hajam também erros passados para consertarmos agora.

Por isso não sou saudosista, conservador ou futurista. Sou a favor de ouvirmos tudo e ficarmos com o que é bom.

* G. K. Chesterton. Ortodoxia, editora Mundo Cristão, p.77

4 comentários:

  1. boa.. gostei.
    simples e direto.
    =)

    ResponderExcluir
  2. Toda a experiência é válida se aprendemos com ela. Muito bom!

    ResponderExcluir
  3. Como diz o próprio Chesterton, talvez a melhor forma de se evitar cair em um ou outro extremo não é negá-los, mas se entregar a todos: saber, ao mesmo tempo, olhar com olhos apaixonados e prudentes para o passado, para o presente e para o futuro, ficando com o que é bom. :)
    Belo texto!

    ResponderExcluir